Agustina Bessa-Luís PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

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Morreu a escritora que não tinha medo de nada

Morreu, aos 96 anos, a escritora Agustina Bessa-Luís, que um dia referiu "Quem tem medo de morrer... Enfim, era melhor não nascer".
Afastada da vida pública há anos, por motivo de doença, Agustina Bessa-Luís é um dos nomes maiores da literatura portuguesa contemporânea.

De seu nome completo Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, nasceu no dia 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante. Foi nesta região que passou a infância, sempre rodeada por livros, por uma vivência e uma paisagem que haveriam de marcar fortemente a sua obra.
Foi na Póvoa de Varzim que passou a adolescência, onde a escola lhe fez nascer o amor pela escrita, a sua segunda paixão. Desenvolveu também o gosto por ouvir, e foram as memórias que muitas vezes a inspiraram para escrever.
Foi no regresso definitivo ao Porto, em 1950, que editou o primeiro romance: "Os Super-Homens", mas seria em 1954, com a publicação de "A Sibila", que Agustina se consagraria como uma das grandes figuras da literatura portuguesa contemporânea (Prémio Eça de Queirós).
A obra da escritora revela a herança camiliana a nível dos temas e da técnica narrativa, o que levou Eduardo Lourenço a associá-la à corrente neorromântica.


Agustina Bessa-Luís | Condecorações e Prémios002

Ao longo da vida recebeu múltiplos prémios e condecorações de que destacamos a atribuição do grau de Grande-Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada e grau de Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago.Por duas vezes o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), Prémio Vergílio Ferreira (atribuído pela Universidade de Évora) e Prémio Eduardo Lourenço, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos, em 2015 em "reconhecimento da sua grande projeção nacional e internacional". Para o júri, Agustina, "expoente máximo da cultura portuguesa e ibérica", "valorizou na sua obra a profunda consonância com a grande tradição cultural ibérica, capaz de integrar e compreender Cervantes e Fernão Mendes Pinto, Nuno Gonçalves e Vélasquez".

 

Agustina Bessa-Luís | Eduardo Lourenço sobre Agustina Bessa-Luís

O ensaísta Eduardo Lourenço considera que Agustina é "incomparável" e a "grande senhora das letras portuguesas".
"É incomparável. Incomparável. De resto, todos os escritores são incomparáveis. Cada um é um anjo na sua espécie, como diziam os teólogos".
O filósofo disse ainda à Lusa que Agustina Bessa-Luís é "híper especial". "Basta ler três páginas dela [e] a gente fica logo noutro sítio", justificou.
"Ela é muito mais importante do que eu serei alguma vez. Eu, ou toda a gente que há neste país. Ela é a grande senhora das letras portuguesas. Podem vir outras, ainda, o mundo não acabou, mas ela já está inscrita, realmente, no céu das estrelas mais altas".

In Agência Lusa, 03-07-2015

 

Agustina Bessa-Luís | Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço

Para dar a conhecer esta figura referencial da literatura portuguesa, a BMEL, em articulação com o Centro de Estudos Ibéricos e o Instituto Camões, dedicou a programação de julho/agosto de 2015 a Agustina Bessa-Luís, num ciclo que incluiu uma exposição bibliográfica sobre aquela escritora, uma conferência e um documentário.