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(Carta de Adolfo Simões Muller dirigida a Nuno de Montemor)
Devo-lhe, meu querido Nuno de Montemor, numerosíssimas provas de amizade. Se as quisesse recordar a todas, teria quase que contar as estrelas – e talvez houvesse necessidade, para me aproximar da conta verdadeira, de lhes juntar os satélites que os homens andam a colocar no céu quando seria preferível encherem a Terra de luz... mas adiante! |
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(...) Cheguei à Guarda logo depois da guerra, mas esta não nos livrou dos exercícios físicos militares bem tormentosos... A Guarda era ao tempo um burgo muito reduzido, pouco passava além das muralhas, com o seu frio arrepiante e nevões abundantes e frequentes, às vezes à altura dos joelhos... E duravam dias sobre o solo! Nesse ano, o primeiro que cá passei, houve um desses, respeitável, em 27 de Maio! De aterrar os mais valentes e para aprender bem a lição consolavam os recém-chegados soprando-lhes ao ouvido que até já nevara no S. João!
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Em Maio veio o Decreto do 'Mata Frades'. Que bens? O imóvel do convento, depois quartel, foi avaliado em 2.000.000 reis. Neste valor incluía-se a casa adjacente, com escadinha para o largo, que não era da ordem Franciscana Regular, mas pertencia, de iure e de facto, à Ordem Terceira (secular) de S. Francisco, isto é, a uma associação de leigos que se orientava pela espiritualidade franciscana e recebia direcção espiritual dos conventuais. |
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Os Últimos Franciscanos
Como estava o Convento de S. Francisco da Cidade quando Joaquim António de Aguiar decretou a extinção das Ordens Religiosas e a nacionalização dos bens conventuais? A seção do Arquivo Histórico do Finanças, (Inventário n.º 177, na Caixa n.º 2218) conservada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa), dá-nos a imagem possível do estado conventual.
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O homem que não esqueceu
O dia merece o título de glorioso. Não há uma só nuvem no céu, o Sol brilha, o frio é tonificante. Viu a noite um viajante infeliz, vê o dia um contente viajante. Dirão os cépticos que foi por ter dormido e comido, mas os cépticos só nasceram para estragar os simples prazeres da vida, como este de atravessar a praça, comprar o jornal do dia anterior e verificar que as raparigas da Guarda são bonitas, substanciais e olham de frente. |
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