Alípio Rocha | As Janeiras PDF Versão para impressão

13530 art

No primeiro dia de janeiro, Ano Novo, grupos de rapazes e, por vezes, de homens, vão de porta em porta, cantar as Janeiras.
Seguidamente indicamos algumas quadras mais usuais:

 

1.a
Ainda agora aqui cheguei,
Já pus o pé na escada,
Logo o meu coração disse:
Aqui mora gente honrada...

 

2.a
Viva a Senhora Josefa,
Raminho de Amendoeira,
Inda nesse mundo anda,
Já no céu tem a cadeira.

 

3.a
De quem era o cinturão
Que se achou no jardim de novo?
Era do Senhor José
Que é o rei do nosso povo.

 

4.a
De quem é o pente de oiro
Com letrinhas ao redor?
É da menina Marquinhas
Que é tão linda como o sol.

 

5.a
Erga-se ó Senhora,
Desse banquinho de prata,
Venham dar-nos as Janeiras,
Que está um frio que mata.

 

6.a
Levante-se daí, senhora,
Desse banco de cortiça,
Venha dar-nos as Janeiras
De morcela ou de chouriça.

 

7.a
Vamos dar a despedida
Por cima da cana oca,
Viva quem deu as Janeiras,
Mesmo no traço da porta.

 

8.a
Esta casa é muito alta,
Bem forradinha de conhos,
Morra quem nela passeia
Que os leve seis mil damonhos (1).

 

(Esta quadra era cantada somente quando não davam)

 

(1) Termo regional significando demónios.

 

 

 


Alípio da Rocha in Monografia de Valhelhas. Coimbra: edição do autor, 1962.