Terra Sagrada: Guarda de José Augusto de Castro PDF Versão para impressão

PÁLIO DE SONHO

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Quando vim para a Guarda, o meu caminho
cobria-se de névoa fria e escura!
Pesava mais, assim, a desventura,
o desamparo de quem vai sozinho

 

Pedi força à vontade... Era mesquinho
o fim da esperança em minha cura.
Mas a Guarda cobriu-me de ternura,
de sonho, de esperança, de carinho.

 

Um grande amor encheu de sol minha alma!
E do céu, alto, pela noite calma,
desce um fio suavíssimo de luar...

 

E fecham no pulmão as cicatrizes!
Voltam os dias, as manhãs felizes,
e Deus enche de bênçãos o meu lar.

 

ÁDITO DE BONDADE

 

Guarda, como te amei desde esse dia
em que vim acolher-me no teu seio,
quando meu coração andava cheio
duma profunda, atroz melancolia!

 

Não era a morte ainda... Mas trazia
da morte dentro em mim todo o receio.
E procurei-te no dorido anseio
de que da morte me libertaria.

 

Liberte-me. Tornei a ver o mundo
em lírios a florir! No mar profundo
não houve mais naufrágios nem escolhos!

 

Tu foste, Guarda, como um céu aberto
sobre o candente areal desse deserto
que se fizera adiante dos meus olhos!

 

 


CASTRO, José Augusto de, 1862-1942 - Terra Sagrada : Guarda. Lisboa : Imprensa Lucas, 1932. 166 p : il ; 22 cm. O exemplar com o nº de registo F3 é fotocopiado da obra original