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Nota histórica – Planta – Exterior

A Guarda, cidade e sede da diocese transferida de Idanha logo que D. Sancho I a fundou, incrustou o seu cesário no alto do morro que a Serra da Estrela despacha para nordeste e que é como o último lampejo de uma chama que vai apagar-se.
Terra alta, batida pelos gelados ventos do inverno, aqui nevoso e pitoresco, de dias ardentes e noites de frescura sem par na quadra estival, ergue-se isolada, cabeça de toda a região que se despenha dos cimos da Serra aos vales de Águeda, Zêzere, Mondego, Távora e Côa, alargando-se desde as terras da raia espanhola às de Coimbra, do acidentado Douro à amena Cova da Beira. A rematar estes alterosos 1059 metros, que veem do mar aos confins do hinterland, a Catedral gótica ostenta no alto do monte a floresta dos seus pináculos e coruchéus, o rendilhado das suas platibandas. O fundador desta Cidade refugiada nas montanhas dotou-a com uma Sé, acabada sob D. Afonso II e substituída no reinado de D. Sancho II. Já em 1321 estava este segundo templo entregue ao culto, mas veio a apeá-lo D. Fernando, o Formoso, parece que por motivos estratégicos. El-Rei prometeu construir outro, mais distanciado da muralha, e desobrigou-se ministrando recursos financeiros para a obra. A traça e a provisão para a construção deu-as D. João I, o rei construtor da Batalha. Em fins do século XIV (1389-1390) lançam-se os fundamentos, governando a diocese o válido do soberano, D. Frei Vasco de Lamego. Arrastado foi o curso das obras, até meados do século do século XVI, com D. João III, acompanhado assim um largo período da evolução do estilo gótico, alcançando ainda o Manuelino e assistindo ao nascimento, apogeu e declínio da política do transporte, da nossa imortal epopeia ultramarina.

PEREIRA, Ernesto - A Catedral da Guarda : o seu retábulo. [S.l. : s.n.], 1940. (Porto : Tip. Porto-Médico). 43, [3] p., [12] p. grav : il ; 18 cm. Contém uma dedicatória
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