Miragem PDF Versão para impressão

13366Junho. Saio de casa. Tarde morna,

depois do sol descer de lá da Serra.

Já fica um pouco escura, ao fundo, a terra.

Vista de cima, - do Pinhal da Dorna.

 

Que tintas de oiro agora o sol entorna

de tantas cores que no seio encerra!

Aproxima-se a noite... Sombras... Erra

Uma andorinha no ar que ao ninho torna.

 

Horas de mais tristezas, de saudades.

Na torre alta da Sé tocam Trindades

e o velho camponês tira o chapéu:

 

- «Avé, Maria! Cheia sois de Graça!» -

E ante os seus olhos num instante passa

A miragem dulcíssima do céu!

 

 

{endnote} CASTRO, José Augusto de, 1862-1942 - Miragem in Terra Sagrada : Guarda. Lisboa : Imprensa Lucas, 1932. 166 p : il ; 22 cm.{/endnote}