| Tomás Ribeiro 2 – D. Jayme |
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Que negros os muros da Sé, carcomidos! Que torres tão juntas do ádito ao pé! Imagem do afflicto, co ´os braços erguidos, tentando amparar-se… n´um raio de fé!
A porta do templo, que dizem mesquinha, é bôca de virgem, que ás festas do altar convida a humildade, dizendo-lhe: - És minha! Deus quer-te. .- E á soberba: não pódes entrar!
Oh Sé ! Deus te salve na tua montanha ! perfeito retrato do meu Portugal! Teus muros, de negro! de galas a Hespanha ! lá dentro, silencio! cá fóra, arraial!
Nas costas do templo busquei avenida, que alfim me levasse ao campo, á soidão; achei-a tremenda! de horrores vestida! Sumi-me nas trevas, medi-lhe a extensão.
É rua medonha! tão negra! tão fria! correndo ao direito co ´as naves da Sé, que assim a deshoras, por noite sombria, jámais ouviu écos de tímido pé!
No fim, negra torre lhe guarda a passagem, com duas entradas, com quatro punhaes; outr´ora atalaia guardando a menagem! agora…só musgo, morcegos, pardaes!
Aqui se projecta mortiça luzerna!... que estrepito é esse! Que a casa tremeu?!... Fiquei-me suspenso !...Cheguei-me á taberna! lá dentro!...lá dentro!...Jesus!...que vi eu ?!...
{endnote} Tomás Ribeiro - Extracto de D. Jayme in Guarda livros : textos e contextos / selecção e org. António José Dias de Almeida. - Guarda : Câmara Municipal da Guarda, 2004..{/endnote} |



