| Tomás Ribeiro – D. Jayme |
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(...) No cimo de monte inhospito, junto da nevada Estrella, que vamos, leitor, entrar. É fria, ventosa e humida feia, denegrida e forte, que o reino, contra a má sorte, era obrigada a guardar.
Por isso é GUARDA o seu nome; pois sempre voltada á Hespanha, de pé, na sua montanha, a espia no seu lidar. É hoje, rotos os muros, veterano sem guarita, já sem farda e sem marmita, mas firme sempre a guardar!
Nos annos da nossa história, era mais triste e mais pobre; mas sempre leal e nobre, não quiz a face voltar. O mais valente guerreiro póde morrer na peleja; mas veja a morte ou não veja, há de o seu posto guardar.
Durante a quadra invernosa, gelos dos tectos pendentes, semelham lustres luzentes, que o sol desfaz a brincar; tal se vê crystallisado crespo bigode guerreiro, após noite de janeiro, toda velada a guarda.
Leitor: eu entro sósinho; serve me aqui de atalaia; espera-me á Cruz da Faia, que tudo te hei de contar. Eu, que não temo as cuchillas dos chicos de Andaluzia, sou comtigo em vindo o dia, e a Guarda me há de Guardar.
Toda a Hespanha em romaria visitava Portugal. N´ essa noite, a Andaluzia na Guarda fez arraial; Granada estava no Algarve, e Biscaia em Traz-os-Montes, vendo as selvas encantadas, pela astucia conquistadas, e os vergeis, e o sol, e as fontes! Pois quem não vai visitar Seus jardins à beira-mar?! (...)
{endnote} Tomás Ribeiro - Extracto de D. Jayme in Guarda livros : textos e contextos / selecção e org. António José Dias de Almeida. - Guarda : Câmara Municipal da Guarda, 2004..{/endnote} |



