Minha Terra Alta de Azul e Neve
José Saramago | Brandas Beiras de Pedra, Paciência PDF Versão para impressão

18391

O homem que não esqueceu

O dia merece o título de glorioso. Não há uma só nuvem no céu, o Sol brilha, o frio é tonificante. Viu a noite um viajante infeliz, vê o dia um contente viajante. Dirão os cépticos que foi por ter dormido e comido, mas os cépticos só nasceram para estragar os simples prazeres da vida, como este de atravessar a praça, comprar o jornal do dia anterior e verificar que as raparigas da Guarda são bonitas, substanciais e olham de frente.

Continuar...
 
Jorge de Sena I PDF Versão para impressão

SENAjorge

(...) em 1978, cumprem-se trinta anos sobre a primeira vez que, em público, me ocupei de Camões, iniciando o que, sem vaidade me permito dizê-lo, tem sido uma contínua campanha para dar a Portugal um Camões autêntico e inteiramente diferente do que tinham feito dele: um Camões profundo, um Camões dramático e dividido, um Camões subversivo e revolucionário, em tudo um homem do nosso tempo, que poderia juntar-se ao espírito da revolução de Abril de 1974 (...)

Continuar...
 
Eduardo Lourenço | Extracto de Discurso PDF Versão para impressão

ART13169

Da verdadeira Guarda só me eram familiares o frio, a neve, o nevoeiro que hoje veio envolver-nos, o vento imemorial, o céu varrido, a aparência sideral que anos mais tarde Vergílio Ferreira evocará magistralmente em "Estrela Polar". Nesses oníricos anos da minha terceira classe, a Guarda, era só não ser São Pedro, a perda do ninho, o primeiro encontro com os outros.

Continuar...
 
Jorge De Sena / Eduardo Lourenço PDF Versão para impressão

13172

Lisboa, 15 de Maio de 1977

 

Meu caro Eduardo

 

(...) A 5 ou 6 de Junho, voarei para Lisboa, pois que deverei proferir o sermão do 50º aniversário da presença em Coimbra a 7 (...), e o sermão camoniano, na Guarda a 10, a convite das comemorações que são mais do «emigrante» a que se quer lamber o rabo e a bolsa do que do Camões, emigrante também (fala, em nome da região, e não sei que mais, antes de mim, o Vergílio Ferreira, e depois de mim, o Ramalho Eanes

Continuar...
 
ERA MISTER NOVOS CAMINHOS PDF Versão para impressão

15821

Reportemo-nos agora então, a datas mais recuadas, contemporâneas pouco mais ou menos daquele nosso regresso de Coimbra, fins 1º quartel deste século, ano novo de 1925.
Éramos então naquele primeiro patamar de entrada, supostos aptos já a enfrentar as realidades práticas da vida, prontos a dar início às nossas primeiras actividades úteis, após um final de curso que há pouco havíamos terminado.

Continuar...