D. Sancho I (1154 – 1211) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

D Sancho I

 

Carolina Michaëlis de Vasconcelos atribuiu ao Rei Povoador uma cantiga de amigo, composta provavelmente para Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, amante do rei, cantar saudades dele: "Muito me tarda / o meu amigo na Guarda!". A autoria de D. Sancho é determinada pela alusão à Guarda, combinando com a rubrica em prosa que a acompanha no Cancioneiro da Biblioteca Nacional*, da mão de Colocci.

Acresce que é o único rei trovador cuja estância na Guarda se pode provar, assim como o seu particular interesse pela cidade.
Contudo, outros investigadores manifestam opinião diferente. Segundo Silvio Pellegrini, a cantiga deve ser atribuída a D. Afonso X, o Sábio e a alusão à Guarda deve ser lida como um substantivo comum, na aceção de "guarda do rei".
Para Resende de Oliveira, desconhece-se "a existência de quaisquer condições que pudessem suportar culturalmente a produção por parte de D. Sancho I de uma composição trovadoresca" e a sua composição remontaria a 1246-1247, período em que Afonso X ainda infante veio apoiar Sancho II na luta contra os partidários de Afonso III.
Segundo Elsa Gonçalves, a dúvida remonta ao século XVI e tem a sua génese na própria tradição manuscrita do Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Sobre o problema, as opiniões continuam divididas.
De acordo com Filgueira Valverde, a cantiga é uma "obra arcaica de distribuição paralelística e metrificação irregular, sobre um tema de muinheira".

*O Cancioneiro da Biblioteca Nacional (outrora chamado Cancioneiro Colocci-Brancuti) é uma coletânea de lirismo trovadoresco galaico-português (cantigas de amigo, de amor e de escárnio e maldizer), compilado em Itália por volta de 1525-1526, por iniciativa do humanista Angelo Colocci (1467-1549).

 


Fonte:

  • COELHO, Jacinto Prado - Dicionário de literatura: literatura portuguesa, literatura brasileira, literatura galega, estilística, literária. Vol. 2 . - Porto : Figueirinhas, [1969-1971?]
  • Cancioneiro da Ajuda / ed. Carolina Michaëlis de Vasconcelos; acrescentada de um pref. de Ivo Castro. - Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, [199-?] (1990)
  • RODRIGUES, Américo – Estevão da Guarda era... da Guarda? D. Sancho I não escreveu a cantiga "Ai eu coitada como vivo?" in Praça Velha: revista de cultura da cidade da Guarda. - Ano I, nº 2 (Novembro 1997) -. - Guarda: Câmara Municipal da Guarda, 1997. pp 157-159.
  • GONÇALVES, Elsa – Nota sobre a Cantiga de Amigo "Ai eu coitada..." in Praça Velha: revista de cultura da cidade da Guarda. - Ano V, nº 12 (Novembro 2002) -. - Guarda: Câmara Municipal da Guarda, 2002. pp 23-24.
 

Autores do fundo Local