Orlando Vitorino (1922 – 2003) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

OrlandoVitorino

Nascido em Almeida, discípulo de Álvaro Ribeiro e José Marinho, e inspirado em Hegel, destacou-se na filosofia, publicando vários livros e estudos sobre o tema, que abordam a Estética, a Filosofia do Teatro ou a Filosofia Política, entre outros.


Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade de Lisboa, lançou a primeira tradução portuguesa da "Filosofia do Direito" de Hegel, no início da década de sessenta do século XX, para, quinze anos mais tarde, também introduzir, entre nós, o pensamento de Hayek, com "O Caminho para a Servidão". Estas duas ações asseguram-lhe um lugar perene na cultura portuguesa mas também contribuíram para o seu isolamento, e até alguma condenação ao silêncio.
Representou um papel ativo no teatro, como ator, encenador e dramaturgo. Em 1955, em parceria com Azinhal Abelho, fundou a Companhia do Teatro d'Arte de Lisboa para a qual traduziu e encenou diversas peças.
Dedicou-se também ao cinema como diretor dos filmes "Eu fui ao Jardim da Celeste", "Fábula de Leitura" e "Nem amantes, nem amigos". Nos anos 50 realizou várias curtas-metragens «culturais» em associação com Azinhal Abelho. Nesta área terá, ainda, trabalhado com Manuel de Guimarães na adaptação (ou no argumento ou na sequência e planificação) de «O Trigo e o Joio».
Funcionário do Serviço de Bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, colaborou com Branquinho da Fonseca no arranque do Serviço de Bibliotecas Itinerantes, juntamente com Domingos Monteiro e António Quadros.
Esboçou uma candidatura à presidência da república em 1985, desistindo, mais tarde, por não ter conseguido reunir as assinaturas necessárias.
Foi pioneiro na recuperação da ideia liberal no último quartel do século XX português.
Redigiu um projeto pioneiro para uma nova Constituição, numa tentativa de reconstrução económica e política do estado, que tentava conciliar elementos monárquicos, aristocráticos e democráticos.
É muito conhecida a sua reflexão sobre a inutilidade da universidade. Esta deveria ser extinta porque era «herdeira de todas as limitações ao desenvolvimento intelectual e de todas as proibições de informação cultural e científica ancestralmente atribuídas a organizações que, no progresso de actualização, as vieram abjurando, como as do ensino e da censura eclesiásticos» (in prefácio ao Ensaio sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, Arcádia, 1973).
Foi um dos últimos representantes da "Filosofia Portuguesa".

 

Obras:

  • Introdução filosófica à Filosofia do Direito de Hegel
  • Exaltação da filosofia derrotada
  • Refutação da filosofia triunfante
  • Traduções portuguesas de filosofia
  • A fenomenologia do mal e outros ensaios filosóficos
  • A idade do corpo ; A fenomenologia do mal
  • Manual de teoria política aplicada
  • Manual de teoria política aplicada : o Liberalismo como sistema de liberdade
  • Filosofia, ciência e religião : um ensaio
  • Tongatabu
  • Na representação de Tongatabu
  • Tongatabu ; Seguido de discurso sobre o que o teatro é
  • Nem amantes nem amigos: teatro
  • Le raisonnemet de l'injustice
  • Escola formal
  • Sete absurdos da legislacão que regula a actividade teatral
  • As teses da filosofia portuguesa
  • O caminho para a servidão / Frederico Hayek (revisão da tradução)
  • Yerma : peça em três actos / Federico Garcia Lorca (tradução)
  • Princípios da filosofia do direito / Hegel (tradução)
  • Estado de sítio / Costa Gavras e Franco Solinas (tradução)
  • Os fantasmas : aparições fantásticas em 3 actos / Eduardo de Filippo (texto português)
  • Auto da Índia ; Auto dos físicos ; A Farsa do velho da horta / Gil Vicente (revisão de textos)
  • Lutar até de madrugada / Ugo Betti (tradução)
  • Quem tem farelos? ; Farsa de Inês Pereira ; O juíz da Beira / Gil Vicente (revisão)
  • Estética : a ideia e o ideal / Hegel (tradução)
  • Estética : a arte simbólica / Hegel (tradução)
  • Estética, o belo artístico ou o ideal / Hegel (tradução)
  • Estética / Hegel (tradução)
  • Estética : a arte clássica e a arte romântica (tradução)
  • Os autos das barcas : inferno, purgatório, glória / Gil Vicente (revisão)
  • Ensaio sobre a liberdade / John Stuart Mill (tradução)
  • Os degenerados / Aleksej Macsimovic Peskov (tradução)
  • Acto : fascículos de cultura (direção, com António Quadros)
  • Amantes e triunfantes / Brian Friel (direção)
  • O carrasco, o enforcado e a forca ; O espectador morreu: viva o teatro / Jack Richardson (direção)

 

 


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